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O papel da Mãe na Constelação Familiar: como harmonizar?

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O primeiro papel da mãe no sistema familiar é, junto ao pai, perpetuar a vida no sistema familiar. A partir da vida gerada, a mãe é, também, aquela que nutre essa vida.

Além disso, a mãe representa a própria vida e transmite aos seus descendentes o feminino sagrado e ancestral e tudo o que esta força representa: 

  • Amor;

  • Nutrição;

  • Segurança;

  • Abundância em todas as suas manifestações;

  • Criatividade;

  • Prosperidade;

  • Sucesso;

  • Vida profissional;

  • Prazer;

  • Alegria de viver.

“O sucesso é uma lei da vida. Toda vida é bem sucedida. O importante é se também tomamos a vida como vida. Vida e mãe são internamente o mesmo. Do mesmo modo que tomamos nossa mãe, assim tomamos a vida.

Quem rejeita sua mãe, rejeita a vida. A vida é ao mesmo tempo amor. Toda vida humana se desenvolve através do amor.

Todas as relações bem sucedidas são relações de amor. Esta lei fundamental atua em todos os níveis.

Neste caso, qual é o primeiro movimento? Toma-se a vida. Ela nos é presenteada. Recebemos a vida ao tomá-la com tudo o que pertence a ela.

O que tomamos primeiro são nossos pais tais como são. Ao tomar nossos pais tais como são, tomamos nossa vida.”

Bert Hellinger – Texto extraído do livro “No centro sentimos leveza”.

Uma vez, em um Treinamento, Bert Hellinger fez uma demonstração sobre a relação da Mãe e da profissão. 

Ele, sem dizer o que iria trazer como ensinamento, convidou uma pessoa da plateia que quisesse olhar sua questão profissional.

Uma mulher se apresentou, informando que trabalha com Terapia. Então, ele selecionou uma pessoa para representar a profissão dela e, em seguida, ele colocou no campo uma representante para representar a mãe. Ambas as representantes se comportaram exatamente da mesma forma.

Bert Hellinger traz o ensinamento:

 “Aquele que não tem êxito com a Mãe, também não encontrará êxito na profissão!”

Nós fazemos dois movimentos essenciais na nossa primeira infância que se refletem na vida adulta: o nascimento e o movimento em direção à mãe.

Nascer é o nosso primeiro e mais decisivo êxito da vida, este primeiro “sucesso”, que é instintivo, é a força com que vamos para a vida.

O segundo movimento e que apresenta um dos maiores simbolismos na vida, é o encontro com a nossa mãe. Chegar até a mãe é uma vitória e representa a nutrição, a segurança e o acolhimento. Este é o segundo “sucesso” que alcançamos na vida.

Perceba que o ato de se nutrir fisicamente vem do leite materno, o que demanda esforço por parte do bebê, e assim é que “tomamos” a vida.

Ao “tomar a mãe e tudo que flui dela” como fonte da vida, tomamos a vida como um todo. É uma decisão, uma ação, um tomar ativo.

 

O papel da mãe na sociedade atual

 

O papel da mãe vem mudando ao longo dos últimos tempos?

Sabemos que o papel da mulher vem ganhando mais força e presença no mercado de trabalho e na sociedade.

Não faz muito tempo que os principais papéis da mulher eram o de ser uma boa mãe, boa esposa e boa dona de casa. 

Quando as mulheres começaram a trabalhar fora, a contribuir economicamente com a família, ainda tinham que acumular as “obrigações da mulher”.

Atualmente, a mulher já conquistou muito mais espaço e o que antes era considerado exclusivo do papel de mulher, já é compreendido como o papel da pessoa, independente de ser uma mulher ou um homem.

Se antes a mulher teria que se realizar somente na maternidade e no casamento, hoje seus potenciais de realização se abriram para todas as áreas da sua vida.

Porém, quando se trata do papel da mãe, a partir do ponto de vista da Constelação Familiar, este se mantém, uma vez que independentemente de como a mulher está na sociedade, gerar e nutrir a vida é intrínseco à mãe.

É a mãe quem fornece os subsídios biológicos que a criança necessita, além dos emocionais e mentais que fazem parte dessa nutrição como um todo. Neste primeiro momento das nossas vidas, enxergamos a mãe como uma parte de nós.

A mãe é esse primeiro e forte pilar responsável pelo desenvolvimento da criança, por isso seu papel também é importantíssimo no que diz respeito ao papel da mãe na Constelação Familiar.

É o olhar da mãe que nos desperta a consciência de existir e pertencer. Quando a mãe nos olha nos olhos, no momento do nascimento, durante a amamentação, seja ou não no peito, e durante o nosso desenvolvimento, vamos desenvolvendo a nossa segurança para nos relacionarmos mais com a vida e com as pessoas.

 

Honrar Pai e mãe – Constelação Familiar

 

Honrar pai e mãe é reconhecer a graça de estar vivo, compreendendo que antes de serem pais, são seres humanos e as pessoas certas que juntos geraram a sua vida.

Honrar pai e mãe é receber e tomar a vida que eles lhe deram e fazer o seu melhor com ela.

Honrar pai e mãe é se colocar no seu lugar de filha (o), dar um lugar no seu coração para eles, livre de qualquer julgamento.

Honrar pai e mãe é saber e reconhecer que eles vieram antes e permitiram que você estivesse aqui, que somente fazendo o que fizeram é que a vida chegou em você, que a vida continuou no sistema familiar. 

Honrar pai e mãe é deixar com eles o que pertence a eles e tomar o que é seu: a vida.

Honrar é ver, reconhecer, dizer sim, incluir, dar um lugar no seu coração, ter gratidão e seguir em frente, estando a serviço de algo maior: a vida.

Honrar pai e mãe permite que a força da vida flua de forma intensa e livre até você.

 

Masculino e Feminino na Constelação Familiar

 

Masculino e o Feminino são princípios que estão em tudo que existe, são duas polaridades complementares, forças coexistentes em todas as pessoas: Yang e Yin.

Tanto a mulher como o homem têm as duas forças atuando em si e é na aceitação e integração destas polaridades que o equilíbrio é experimentado.

Nas Constelações Familiares se observa, em alguns casos, o desequilíbrio destas polaridades. Quantas dores do feminino têm origem em famílias, onde o masculino foi supervalorizado?

Em muitos casamentos, o que hoje sabemos ser uma violência contra a mulher, era considerado atitude normal do homem, onde a violência do masculino era considerada uma agressividade boa, uma força. 

Esse desequilíbrio não se dá apenas pelo masculino, o feminino ao se colocar como inferior ou superior, também irá gerar um emaranhamento do sistema familiar.

O equilíbrio só é possível quando as duas forças recebem o mesmo reconhecimento. Diferentes e complementares.

As marcas de uma história de sofrimentos e exclusão permanecem no sistema familiar como uma herança sistêmica, transmitida pela memória celular de uma mulher para a outra, de um homem para outro, geração após geração, levando a um padrão de comportamento de defesa, muitas vezes de exclusão do masculino ou do feminino.

Homens e mulheres são diferentes, pois equilibram os princípios masculino e feminino dentro de si de formas específicas. Ter consciência destas forças em si e buscar a integração de ambas, permitirá a experiência de estar completo.

“Seres humanos se tornam completos quando podem unir o masculino e o feminino em todos os aspectos.

Há várias distinções que podemos fazer seguindo este modelo. Podemos trocar o feminino por Corpo e o masculino por Espírito.

Neste sentido, qualquer caminho espiritual com sua negação do corpo também está negando o feminino. Muitos caminhos espirituais são antimatéria. Eles negam a união entre o masculino e o feminino, dando prioridade a um em detrimento ao outro.

O mesmo acontece entre o hemisfério direito e esquerdo: um é o masculino, e outro o feminino. A questão é: o que une estes opostos?”

Bert Hellinger – Texto extraído e traduzido livremente do livro “In the service of live”

 

As consequências da má relação com a mãe na constelação familiar

 

Os filhos têm dificuldade de ter uma imagem realista da mãe. Costumam ter uma ideia idealizada da mãe, projetando características admiráveis e exigindo atitudes e comportamentos que não correspondem à realidade.

Quando esta mãe se comporta de maneira diferente daquela que os filhos entendem ser o “certo”, o movimento de se afastar dela se inicia. 

Quanto peso se coloca em uma mãe quando se exige dela uma perfeição idealizada?

Esse movimento é comum ao ser humano em algum momento da infância, porém, torna-se um desequilíbrio quando se mantém ao longo da vida. Quantos filhos adultos continuam exigindo da mãe a partir de uma imagem irreal, esquecendo que esta mãe é uma mulher, um ser humano?

Como verdadeiramente entrar em contato com a mãe? Olhando-a como ela é: um ser humano com talentos, limitações, desejos e com o direito de viver de acordo com as suas escolhas, acertando e errando, como os demais.

Assim, o filho pode liberar a mãe de suas expectativas e, consequentemente, começa a experimentar um vínculo muito mais forte com ela.

Estar bem com a mãe é estar bem com a vida. A forma como se trata a mãe é a mesma forma que se trata a vida. Ela é a grande porta de entrada para a nossa vida e tudo o que isso representa.

Enquanto estamos exigindo da mãe, estamos exigindo da vida, ao invés de conquistar e criar queremos que tudo chegue até nós pronto e do jeito que idealizamos.

Essa atitude interna infantil nos deixa indisponíveis para realmente experimentar o que a vida tem a oferecer e o que a mãe já nos deu e ainda nos dá, trazendo mais afastamento e mágoas.

Ao estar ocupado exigindo, o filho não consegue receber, e ao bloquear o receber, o fluxo da vida, do amor e da prosperidade também são interrompidos.

“Quando alguém se alegra com sua mãe, também se alegra com sua vida e seu trabalho. A medida em que alguém toma a sua mãe totalmente, com tudo aquilo que ela lhe presenteou tomando isso com amor, a sua vida e seu trabalho o presentearão, na mesma medida, com sucesso.

Quem tem reservas em relação a sua mãe, as tem também em relação à vida e à felicidade. Assim como sua mãe se afasta dele como consequência de suas reservas e sua rejeição, assim a vida e o sucesso se afastam dele.

Onde começa o nosso sucesso? Começa com nossa mãe.

Como o sucesso chega a nós? Como pode vir? Quando a nossa mãe pode vir a nós e quando nós a honramos como tal.

Bert Hellinger

 

Mãe: Bert Hellinger frases

 

“Entregar-se à mãe e ser aceito por ela é a experiência de relacionamento mais intensa e fundamental que podemos ter.”

“Se a mãe permite o acesso ao pai, o filho terá sucesso. A mãe é a vida. O pai é o mundo.”

 

A carta Hellinger para a sua mãe

 

Trago aqui a carta que Bert Hellinger escreveu para a sua mãe. Esta leitura é um excelente exercício de reflexão. 

 

“Querida Mãe,

Você é uma mulher comum, assim como milhares de outras mulheres. Amo você assim, como mulher comum. Como mulher comum você encontrou o meu pai. Ele também é comum. Vocês se amaram e decidiram passar a vida inteira juntos. Casaram-se, isto também é comum, e se amaram como homem e mulher, profundamente. Fui gerado através desse amor profundo. Sou um fruto do amor de vocês. Vivo, pois vocês se amaram – muito comum.

Esperaram por mim durante nove meses, com esperança e aflições, perguntando-se se as coisas caminhariam bem para vocês e para mim.

Sim, querida mamãe, então você me pariu com dores e tormentos. Assim como outras mães têm os seus filhos. Então, eu estava aqui.

Vocês olharam para mim e se olharam. Estranharam: este é o nosso filho? E disseram sim para mim. Sim, você é o nosso filho e nós somos seus pais. Tomamos você como o nosso filho. Então me deram um nome através do qual me chamam, deram-me o seu nome e disseram a todos: este é o nosso filho, pertence a nós.

Vocês me nutriram, educaram e cuidaram de mim durante muitos anos. Sempre pensaram em mim. Preocupavam-se e se questionavam sobre as minhas necessidades. Deram-me muito.

Os outros, assim como eu, também, às vezes, diziam que vocês tinham falhas, que não eram perfeitos e que deveriam ter sido diferentes. Mas assim, da forma que vocês foram, foram certos para mim. Somente por terem sido da forma que foram, tornei-me quem sou. Para mim, tudo estava certo. Eu lhe agradeço, querida mãe, eu lhe agradeço, querido pai.”

Agora, o mais importante:

“Liberto você, querida mãe, de todas as minhas expectativas e exigências que superam o que se pode esperar de uma mulher comum. Recebi suficientemente e já basta. Obrigado. Libero você, querido pai, de todas as minhas expectativas e exigências que superam o que se pode esperar de um homem comum. Eu lhe agradeço.”

Bert Hellinger

Mãe na Constelação familiar: como harmonizar esta relação?

 

“Nunca é demais honrar os pais. Como liberta, honrar os pais. E como é de pouco valor quando nos aproximamos desses vínculos profundos com julgamentos morais. Quão pouca justiça é feita à realidade.”

Bert Hellinger, no livro “A Fonte não precisa perguntar pelo caminho.”

Para harmonizar a relação com a mãe, começamos por compreender que ela é um ser humano, uma mulher. Depois, olhamos para a “falta” do que se desejava receber e nos abrimos para aceitar essa limitação. Muitas vezes, o que é percebido como falta de amor tem mais a ver com a medida e a forma do que se esperava receber. Na expectativa irreal, a frustração acontece e é encarada como falta de amor.

De acordo com Bert Hellinger, a vida somente é gerada quando nesta equação há o amor. Este amor que ele nos fala, é o amor de alma, algo mais profundo. Se há vida, há a presença do amor. 

Este amor nem sempre é percebido e demonstrado, pelo contrário, no dia a dia acontecem dinâmicas de dor e sofrimento, abandonos, exclusões, violência etc. Nestas situações, o amor não é sentido, os emaranhamentos sistêmicos impedem que estas relações se harmonizem.

Muitos destes emaranhamentos vêm de gerações anteriores e assim, só se dá aquilo que se recebeu. 

A mãe que não demonstrou amor pode ter sido a filha que também não recebeu esta demonstração de sua mãe. Ao nos darmos conta disso, temos a possibilidade de começar a trazer um novo padrão para o sistema.

Mas essa mudança somente é possível se aceitarmos o que já foi e nos colocarmos conscientemente de frente para essa mãe dando um lugar no coração para ela. 

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